A principal - e mais difícil -etapa da conscientização sobre a Governança em empresas familiares é a da sensibilização. Efetivamente, o primeiro movimento que a família, como um grupo social que é, deve ser a da conscientização de que é necessário distinguir os negócios de família dos negócios da família.
Sem dúvida não é um processo fácil. Relações difusas, afetos misturados, conflito de gerações, disputas de poder são alguns ingredientes de um grande "caldo sheakespeareano" que podem ter por enredo de uma tragédia anunciada. Desta forma, valem a percepção, sabedoria, experiência e visionarismo do agente chamado de precipitador da mudança, que pode ou não ser o patriarca.
Porém, é absolutamente temerário buscar soluções sem embasamento profissional que norteie o processo de forma isenta e científica.
Aventuras empíricas podem ter efeitos reversos e piorar o cenário. Nesta fase, a ciência predominante é a Psicologia, que identifica os canais afetivos, os níveis de relacionamentos e os perfis e eventuais habilidades dos integrantes do grupo. Por ser um momento delicado o profissional, na diagnose, deve manter a auto estima de todos, mostrando, por exemplo, que se um dos familiares for mais apto para representar a família em foruns não empresariais, ao invés de ser o aquele que tem mais perfil negocial, isto não quer dizer que ele seja excluido do grupo. É aí que reside a sutileza da demarcação: a prova de ninguém é mais ou menos acolhido ou repelido do meio, mas que todos possuem a mesma carga de afeto.
Portanto, ser o CEO dos negócios da família não é mais importante de que ser o seu representante na Fundação por ela mantida. No mercado, são inúmeros os profissionais que militam na Psicologia Organizacional e que possuem a "expertise" necessária para esta etapa.
Definida a fase anterior, segue-se com o momento técnico do processo, em que as ciências de apoio são as de Gestão e o Direito, pois uma vez demarcadas as competências, divididas as atribuições, resta a roupagem ferramental do modelo. Assim, soluções de Governança Corporativa Familiar, Conselhos de Administração, Abertura de Capital, Cisões, Fusões e outras recomendações profissionalizantes, são demandadas e fundamentadas sempre científicamente. Por estas razões, é importante uma assessoria que contemple profissionais multidisciplinares, com amplo domínio de suas áreas, mas que também vislumbrem o "todo sistêmico". No contexto, não se pode prescindir de muita instrução, treinamento e um programa de monitoramento constante.
Atualmente, ações de "coaching" e "mentoring", também são recursos que contribuem para o alinhamento da Governança em Empresa Familiares, cada vez mais recomendada enquanto prevalecem a lucidez, a paz e a civilidade para ousar rumo a um importante e decisivo passo.