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Ao brasileiro falta sentimento de pertença e educação

28/09/2020, 12:21

Por Rodrigo Corrêa de Barros

Em tempos de recessão mundial, no qual a tecnologia ganha protagonismo, há avanços consideráveis na área científica. É um assombro desenvolver vacinas em menos de um ano para um vírus mutante e assombro ainda maior ter segurança para inocular tais vacinas em milhares de seres humanos, vencendo as etapas dos inúmeros testes necessários, e sem perder o critério científico.

Em nosso judiado país, nossa elite científica está a altura dos maiores chefes de laboratórios mundiais, implantando experimentos de ponta nas bancadas da biotecnologia, medicina, computação, robótica, engenharia e agrociência.

Mas a elite não reflete o comportamento dos grupos de trabalhadores em geral, aqueles do chão da fábrica, que ganham a vida de sol a sol. É uma rotina dura! Entrar na fábrica às sete horas da manhã exige estar de pé às cinco, para então pegar o transporte e encarar o dia a dia de rotina excruciante.

O que não se vê em meio à bruma das queimadas do Pantanal é que o trabalhador brasileiro, embora seja um dos mais dedicados do mundo chega ao estágio da vida no qual começa a buscar trabalho – lá pelos 15 anos de idade – sem a educação formal necessária para ser um colaborador de fato: aquele que é peça fundamental para que o empreendimento no qual trabalha seja bem sucedido. O resultado é o retrabalho em excesso e atraso nos prazos; prejuízos bem característicos da nossa gente.

Há indústrias no país que ensinam aos seus funcionários muito mais do que as instruções na operação de máquinas (que não raro custam milhares de dólares). Abordam saúde bucal, higienização das mãos, educação sexual, convívio saudável com seus pares, escolha de boa alimentação e, acreditem, ensinam a evitar a fofoca e o dissabor desnecessário entre colegas de profissão. São aspectos que devíamos trazer da escola, são fatores norteados pela disciplina que aprendemos a exercitar com a matemática ou a química ou a física.

Não seria demais dizer que educação corporativa é a soma de método, criatividade e bom senso.

Na construção civil precisamos preparar melhor a mão de obra dentro e fora dos canteiros. O trabalhador que carrega tijolos tem importância ímpar para aquele que irá morar no imóvel e precisa, portanto, do sentimento de pertença. Precisa sentir orgulho em fazer parte daquela marca que atua na esteira econômica: é questão de bom senso.

Para o corretor imobiliário é confortável a posição de que os departamentos de marketing agora fornecem o cliente – rebatizado lead -, quente, morno ou frio e a ele é delegada a responsabilidade de executar aquilo que o computador não faz ainda: vender.

A venda do imóvel na planta, por exemplo, é uma das técnicas mais completas existentes e quando bem feita é porque soma equilibradamente conhecimentos diversos, sem espaço para o improviso. O guru Rene Staben diria que só improvisa o virtuoso… Longe do cliché de afirmar que o que se vende é, na verdade, o papel sobre a mesa, acabo caindo na armadilha de dizer que o que se vende é confiança e conhecimento. Ninguém que não entenda o mínimo de construção civil e tenha um roteiro muito bem idealizado realiza a venda de algo que muitas vezes nem foi construído: criatividade.

A obstinação com a qual vejo surgirem novos projetos de imobiliárias pertencentes a profissionais preparados,  muitos jovens vindos da recente fase áurea da construção civil, que enxergam no segmento muito mais do que o faturamento milionário (e sim a boa e velha prestação de serviços) e que compreenderam que o crescimento avassalador ocorrido de 2005 a 2011 não irá se repetir nessa década, revela muito sobre o amadurecimento do mercado de imóveis.

Há, nessa posição corporativa inteligente, que se funde a sistemas de prospecção via web cada vez mais avançados, profissionais regrados e com bom senso, capaz de avaliar um imóvel com margens de erro mínimas, encontrar o cluster de consumo com precisão cirúrgica, criar a agenda de prospecção e partir para a ação: método.

Depois da pandêmica era na qual vivemos, o Brasil sentirá sensivelmente o baque de não se fazer presente no grupo de países dispostos a costurar a nova relação fabril com a compra e a venda. Nossa indústria implora por auxílio e nossas lojas se rendem ao mundo virtual como forma de comercializar com mais efetividade, a custos de operação que chegam a ser 21% menores, segundo a Abcomm.

Mas o corretor imobiliário não morrerá tão facilmente. É um guerreiro resoluto que enfrenta o frio, a chuva negra e a falta de segurança dos plantões afastados. Combate todo o dia a inércia e a solidão de uma profissão que precisa, antes de tudo, da boa educação.

Educar na tenra escola é mais do que buscar formar médicos, advogados ou engenheiros (é conceito do século passado). Agora é preciso formar empreendedores e coempreendedores. Homens e mulheres que entendam os movimentos da sociedade e que dela extraiam dados para movimentar a indústria, num planeta que já beira os sete e meio bilhões de pessoas.

Regra, bom senso e criatividade são ferramentas valiosas em tempos de mudança de comportamento. São pilares para a melhor adaptação a novos tempos e unidas a outras habilidades comportamentais dão suporte para esculpir o perfil de profissionais que terão pela proa um cenário socioeconômico complexo.

E as complexidades se resolvem com pensamento lógico, esse também ensinado na escola.

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain Inteligência Estratégica

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