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Casa ou apartamento, como decidir?

20/10/2020, 16:34

Nesses tempos de pandemia, um antigo dilema do brasileiro voltou à discussão em muitas famílias: morar numa casa ou num apartamento?

No início da década de 2010 participei de uma extensa pesquisa, feita em 4 regiões do Brasil (só não foi realizada na região norte por problemas de logística), que era para ser de mercado, mas acabou tendo um forte cunho sociológico sobre a forma de morar do brasileiro. E, na época, um resultado que chamou bastante a atenção foi que cerca de 92% da população brasileira gostaria de morar em uma casa e não num apartamento. Mesmo quando foi pesquisado nos grandes centros urbanos verticalizados, o índice se manteve. Pessoas que nunca moraram em uma casa e tem uma remota chance de um dia vir a morar numa, tem esse sonho.

Eu mesmo, quando vim morar em São Paulo, não sosseguei até ir morar numa casa. Nascido no interior e tendo vivido boa parte da minha vida nele, sempre morei em casa e não me via morando num apartamento, apesar de tê-lo feito por quase dez anos.

Diante desses dados, com a clausura imposta pela pandemia, onde nem era possível descer para as áreas comuns dos edifícios, é fato que esse tema foi e está sendo constante nos lares brasileiros, sobretudo nas metrópoles verticais, pois se as cidades pequenas e médias são mais horizontais e morar num apartamento é a exceção, a falta de espaço nos grandes centros urbanos torna essa realidade inversa.

Mas o que fazer? Como pensar nessa escolha (muitas vezes para uma vida toda)?

Vamos das pequenas cidades para as grandes!

Em uma cidade pequena – aqui vale um dado: cerca 80% das cidades brasileiras possuem menos de 20.000 habitantes – muitas vezes morar em apartamento não é uma opção pelo simples fato de eles não existirem. A medida que as cidades se expandem, a busca por espaço inicia o processo de verticalização. Nessas cidades com alguma oferta de apartamentos, eles podem ser uma opção pela geografia (normalmente em regiões mais adensadas e, portanto, com mais infraestrutura urbana), pela segurança e até pela praticidade (o “quintal” é coletivo e sua manutenção feita pelo condomínio). Normalmente para pessoas que vivem sozinhas ou casais sem filhos (porque não os tem, ou porque eles já cresceram e seguiram seus caminhos), o apartamento é uma opção prática, segura e confortável.

Na outra ponta, quando olhamos para as grandes cidades, viver em um apartamento muitas vezes é a única opção pela falta de oferta de casas. Numa grande cidade, onde distância significa tempo de deslocamento, morar próximo de onde se trabalha ou estuda é um privilégio e via de regra só é viável em apartamentos. Outra questão que afasta as pessoas das casas nessas cidades é a insegurança, uma vez que as casas “de rua” (termo usado para casas que não se localizam dentro de loteamentos fechados) são mais vulneráveis a invasões, furtos e roubos. E como o custo dos terrenos é alto, quando são feitos condomínios de casas, normalmente são casas grandes, de alto padrão, portanto, acessíveis somente a uma pequena parcela da população.

Sabendo disso, as incorporadoras, tem desenvolvidos produtos cada vez mais completos, como é o caso dos chamados “condomínios-clubes” ou “condo-clubes”, que normalmente concentram várias torres de apartamentos em um grande terreno, tendo no térreo uma infinidade de opções de lazer e esportes (academias, pista de caminhada, bosque, playground, áreas gourmet e de churrasco, etc.), fazendo com que seus moradores possam agregar usos comuns nos quintais das casas, amenizando um pouco a falta desse espaço.

Entretanto, todo e qualquer espaço dos condomínios são comuns e desse modo, divididos por todos s condôminos, além de terem regras de uso. Quem já não teve que adiar uma festinha de aniversário do filho, ou aquele churrasco com os amigos porque não tinha vaga naquele dia? E quanto maior a população do condomínio, mais disputadas são essas áreas!

A casa, por sua vez, traz a exclusividade de uma área de lazer, um quintal só seu, que pode ser desfrutado a qualquer momento e da forma que melhor lhe convir, onde você dita as regras. No entanto, da mesma forma, a conservação é individual. Sua responsabilidade! Portanto quem corta a grama e quando o faz é uma responsabilidade individual. E dessa forma é tudo numa casa. Se a lâmpada da entrada queimou, o portão da garagem emperrou, faltam flores no jardim, quem deverá providenciar e custear a manutenção é o próprio morador, pois não existe um condomínio com um síndico para resolver essas questões.

O importante nessa escolha é avaliar os prós e contras para o dia a dia seu e da sua família. Do ponto de vista da localização, é importante se atentar à distância do trabalho e da escola, a disponibilidade de transporte para os deslocamentos, infraestrutura do bairro em comércio e serviços. Quando pensar no conforto e estilo de vida, avaliar, por exemplo, o quanto tempo se fica em casa, o uso das áreas externas e de lazer.

Agora, acima de tudo, é preciso ter em conta que viver em comunidade, compartilhando espaços, significa renunciar a algum conforto individual. No sentido inverso, privilegiar o individual, vai significar um aumento do ônus com a manutenção do seu patrimônio e com segurança, entre outras coisas.

Então qual o seu perfil? Prefere pagar pela exclusividade e as vezes morar mais afastado de suas necessidades cotidianas, ou compartilhar a piscina e a churrasqueira sem se preocupar se tudo funciona, mas se planejando para reservar a data e poder desfrutar o equipamento no dia planejado?

A meu ver o importante é ter uma casa ou apartamento que seja um lar, um refúgio e um abrigo para si e para a família.

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain Inteligência Estratégica.

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