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Brain | Líder super-herói, só que não

Líder super-herói, só que não

Letícia Tiboni Araújo
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Líder super-herói, só que não

Atualizado por último em junho de 2024

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Letícia Tiboni Araújo

Diretora-administrativa da Brain Inteligência Estratégica

O que é ser um líder

Há quase vinte anos, quando comecei a trabalhar em uma grande empresa de consultoria, aprendi uma das lições mais importantes da minha vida profissional: sem um bom (ou boa) líder, nenhum projeto acontece. Mas, o que é um líder? Fui buscar um conceito simples no dicionário online e encontrei: “Pessoa que possui autoridade e poder para comandar os demais. Indivíduo que exerce influência no comportamento ou no modo de pensar de alguém.” Então, num resumo rápido e direto, um líder em uma empresa é alguém que exerce influência e comanda os demais para que as coisas aconteçam.

O que tenho visto e lido muito é a transformação do líder em alguém com superpoderes. Um super-herói (ou heroína). Livros, revistas e especialmente as redes sociais os colocam como pessoas dotadas de um dom quase sobrenatural de entender e guiar as pessoas, compreendendo sempre o seu momento e dificuldades, e alguém responsável pela felicidade de seus liderados. É um ser admirado por todos, sempre alegre, bem-humorado, disponível para atender a qualquer momento. Uma pessoa que inspira a todos porque além do comportamento sempre exemplar, tem todas as habilidades e conhecimentos necessários. E além de se dedicarem fortemente às atividades profissionais, ainda conseguem ter uma vida perfeitamente equilibrada, dando atenção grande à família, à saúde e fazem exercícios diariamente. O Super Homem ou Mulher Maravilha do mundo empresarial.

O líder real é gente

Só que não! Essas pessoas não existem, se não no imaginário de alguns. Voltando ao conceito do dicionário, líderes são aqueles que “exercem influência no comportamento ou no modo de pensar de alguém” e fazem as coisas acontecerem. Mas são gente, de carne e osso. Cheios de dificuldades, medos, dúvidas e defeitos. Que muitas vezes tropeçam, erram, perdem a paciência. Muitas vezes não sabem que decisão tomar ou que caminho seguir. E têm dificuldades em dar conta de conciliar a dedicação que o trabalho exige com a vida pessoal.

Normalmente eles têm sim uma capacidade maior do que a média para entender e convencer os demais a seguirem suas determinações ou orientações. Sim, são pessoas que inspiram confiança e muitas vezes se tornam modelos para outros. Mas, principalmente, são pessoas que se colocam à frente e investem grande energia para que os planos aconteçam. E isso é bastante e importante!

A crença de que o líder é um super-herói atrapalha muito o dia a dia de qualquer corporação. Atrapalha principalmente porque não é real e leva à decepção constante. Para os gestores que querem ser bons líderes, fica um gosto amargo de frustração em não atender às expectativas de perfeição que as redes sociais mostram. Em contrapartida, os liderados sentem que seus gestores não devem ser líderes “de verdade”, afinal não alcançam todos os requisitos que são indicados nos livros que leem.

Entender a realidade evita frustrações

Costumo dizer que esse complexo de “Você. S.A.” só gera infelicidade, pois leva as pessoas a uma busca eterna por pessoas ou situações que somente existem no “faz de conta” das publicações perfeitas de Instagram ou LinkedIn. Entender que as pequenas empresas ou as grandes corporações são feitas de pessoas e, portanto, sempre sujeitas a falhas, é um aprendizado importante.

Tenho percebido que muita gente leva muito tempo a aprender isso (alguns inclusive nunca conseguem de fato). Especialmente os mais jovens, que tem menos experiência e perfil idealista por natureza. Noto uma busca quase dolorida pelo trabalho perfeito, pela empresa que ofereça uma formação completa, se preocupe diariamente com a sua felicidade e garanta o equilíbrio perfeito entre o esforço exigido, uma remuneração alta e qualidade de vida. Muitas vezes é exatamente isso que esperam que seus gestores, como bons líderes lhe garantam.

Entender que o líder perfeito das redes sociais não existe evita muitas frustrações. Conseguir perceber e distinguir o que é factível do que é ilusão, leva as pessoas a compreender melhor os seus colegas e gestores e a tomar ações e decisões mais efetivas e eficazes. Por consequência, tende a melhorar os resultados, a satisfação pessoal e a autoestima.

O que um bom líder realmente deve observar

Não quero aqui dizer que os gestores de equipes devem se acomodar e entender que os erros são aceitáveis pelo mercado. Normalmente não são. Ser líder é um papel especialmente difícil porque são responsáveis pelo resultado de um trabalho que não executam diretamente. Entendo que ter claro quais são os objetivos e resultados esperados do trabalho a ser realizado é o ponto mais importante de um gestor. É o seu alvo, e deve ser também o alvo de toda a equipe.

Não menos importante do que ter claro onde se quer chegar (em que tempo e a que custo), é essencial entender as pessoas com quem se trabalha. Cada uma certamente tem uma forma de ser e respeitar isso faz com que se consiga extrair o melhor delas. Isso inclui manter o máximo possível uma comunicação próxima.

Finalmente, entender bem os processos da empresa, afinal é papel do líder ajudar os seus liderados a resolver suas dúvidas e problemas para que juntos alcancem o resultado esperado.

Fazer isso não é tarefa fácil. Exige muita dedicação, esforço e energia, mas certamente é factível. Manter o foco nos resultados, atenção nas pessoas e entendimento e estudo dos processos é certamente muito mais fácil do que ser um Super Homem ou Mulher Maravilha.

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