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Brain | Percepção de novas demandas no mercado imobiliário

Percepção de novas demandas no mercado imobiliário

Eduardo Guimarães
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Percepção de novas demandas no mercado imobiliário

Atualizado por último em abril de 2022

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Eduardo Guimarães

Diretor Executivo e Sócio Fundador na Guima Arquitetos Associados

Atualmente não há como fugir de avaliar quais as consequências naturais sobre os produtos do mercado imobiliário, resultantes do isolamento forçado que vivemos em função da pandemia. Principalmente nos grandes centros urbanos!

É fato que as crises mundiais ou locais sempre trazem essas mudanças em produtos do mercado imobiliário, mas via de regra, elas são sempre no âmbito da redução de custos, uma vez que as crises também costumam ser de foco econômico. A atual crise, no entanto, por ser de saúde pública, está gerando mudanças comportamentais sem precedentes (assim como a própria pandemia o é!). E essas mudanças comportamentais afetam a funcionalidade do ambiente residencial de toda a população do planeta, independentemente de sua cultura.

Com essa nossa vivência forçada de uma nova realidade, imposta pela pandemia, as pessoas, passaram a vivenciar mais suas casas. E dessa convivência brotaram as necessidades de adaptação, seja da velha parede que “um dia eu vou pintar”, até a necessidade de um espaço com relativo isolamento para trabalhar e principalmente, fazer uma videoconferência, sem os efeitos sonoros dos latidos do cachorro ou das intervenções da nossa prole que, diga-se de passagem, também se tornou usuária diária das videoconferências para seguir com o ritmo escolar de aprendizado.

É claro que muitas questões ganharam uma importância momentânea como essa necessidade de as crianças terem aulas e os pais trabalharem, ambos em casa e ao mesmo tempo. Entretanto, notam-se algumas mudanças no perfil das pessoas que tendem a se perenizar. Uma delas é de ter um espaço de trabalho em casa, o famoso home office. Mesmo quando voltarmos todos para os respectivos ambientes de trabalho em nossas empresas, está claro que aquele ambiente improvisado na mesa de jantar que era usado para terminar um relatório à noite ou para preparar uma apresentação para a diretoria no dia seguinte, entre outros, não cabe mais. A necessidade de se ter um local adequado de trabalho e estudo nas residências, mesmo que compartilhado entre pais e filhos, talvez em conjunto com algum outro ambiente da casa, mas que ao mesmo tempo possa ficar mais resguardado do seu movimento é essencial e já tenho visto isso claramente nas encomendas de projeto em meu escritório. Seja o cliente do mercado imobiliário, seja o cliente final, agora, quando falamos de projeto residencial, em seu programa de necessidades vem o item home office como parte integrante dele e não mais como um espaço a ser raramente utilizado, mas sim como parte de uso cotidiano, conectada ao restante da casa.

Outro item importante que tenho notado é a área de lazer externa, o famoso quintal. E isso é um grande problema nas metrópoles altamente verticalizadas, onde poucos privilegiados (e eu me incluo neles) podem morar em uma casa e ter seu tão amado quintal! Seja sofisticado com área gourmet e piscina, seja um pequeno gramado onde os filhos podem gastar energia, temos visto um processo de procura por esse espaço. Não à toa, os apartamentos-jardins, nos térreos ou primeiro andares de edifícios residenciais estão mais queridinhos do que nunca. Pensar em ter que ficar trancado em casa por meses com as crianças, não podendo sequer descer para a área comum do prédio, tirou o humor de muita família que literalmente tem vivenciado isso durante essa pandemia. Já percebo o mercado imobiliário demandando mais por produtos do tipo condomínios horizontais nas metrópoles, assim como a venda de casas em bairros abertos mais seguros. É claro que existe uma grande diferença entre o quintal dos sonhos e seus custos de manutenção, com os famosos ‘eiros’: jardineiro, piscineiro, caseiro, etc. e um gramadinho de dez metros quadrados para os seus herdeiros gastar energia e se sujar um pouco de terra. Mas qualquer chão sem um teto sobre a cabeça hoje é válido.

Nesse quesito, as cidades do interior levam grande vantagem por seu perfil mais horizontalizado, abundância de loteamentos fechados, onde o conforto da casa com quintal vem acompanhado da segurança do condomínio, mas isso é conversa para uma próxima vez. Nas grandes cidades, outro obstáculo à horizontalidade é o custo do terreno, o que muitas vezes só viabiliza a verticalização. A menos que estejamos num bairro onde ela não seja permitida.

O fato é que essa clausura forçada só evidenciou uma tendência cada vez mais forte lá fora, mas que ainda engatinha no Brasil, do home office. E se antes algumas poucas empresas, mormente as multinacionais, pensavam nisso (há cerca de cinco anos desenvolvi o projeto dos escritórios de uma multinacional americana que enxugou trinta por cento dos locais de trabalho – mesmo com o número de colaboradores em crescimento – pois pretendia que seus funcionários iniciassem uma rotina de um a dois dias de trabalho em casa), está comprovado que as empresas conseguem uma economia expressiva de seu custo fixo com redução da área de escritório de suas sedes (na maioria das vezes muitos metros quadrados de lajes locadas) e que o brasileiro já está num aprendizado rápido para ser produtivo trabalhando de casa. Basta ter metas!

Vamos ficar de olho também no mercado dos grandes edifícios corporativos, pois ao que tudo indica, pós pandemia, nos próximos anos ele deverá passar por transformações com as empresas reduzindo área de carpete com a incorporação definitiva de postos de trabalho rotativos, intercalados com o trabalho em casa.

*O conteúdo deste texto foi redigido por terceiros e pode não refletir a opinião da Brain Inteligência Estratégica

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