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Disrupção: a organização onde você está hoje pode não existir amanhã

04/11/2021, 15:46

Por Erick Takada

Já parou para pensar que o próximo grande competidor do mercado imobiliário pode não estar por aí “empilhando tijolos”? Mais, existe a probabilidade de que ele ainda nem exista. A palavra da vez é disrupção, mas o que de fato isso representa?

Os termos tecnologia disruptiva ou inovação disruptiva em sua essência, advém do inglês, Disruptive Innovation, que foi cunhado em 1995 por Clayton M. Christensen, professor da Harvard Business School, no artigo intitulado “Disruptive Technologies: Catching the Wave”.

Segundo Christensen, disrupção é um processo onde empresas menores e com poucos recursos, desafiam os líderes de mercado. No momento em que as dominantes focam seus esforços em aperfeiçoamento, as entrantes, de forma mais simples e eficaz, permeiam inicialmente a demanda marginal e roubam a cena do mercado.

Gráfico Disrupção melhorias novos recursos personalização, mais fácil de usar mesmo valor.

Desde o início, a teoria vem sofrendo excessos de erros em sua aplicação. Recentemente Christensen publicou um artigo trazendo uma análise da gigante Uber. Vejam só, segundo o autor da teoria, esse caso não se aplica como uma tecnologia disruptiva.

A plataforma, que surgiu em São Francisco, cidade altamente atendida pelo serviço de táxi, veio para atender o mesmo público mainstream que usava este serviço e depois acabou se difundindo como uma alternativa para o público de menor poder aquisitivo.  Certamente foi um caminho de sucesso, entretanto não seguiu a fórmula de primeiro atingir o público marginal e depois cativar os consumidores do então líder, o táxi.

Segurando celular na mão aplicativo uber

Em contraponto,  considera-se o Nubank um caso de inovação disruptiva no Brasil por cumprir as premissas da teoria de Christensen. Nascida numa casa no Brooklin, bairro da capital paulista, a empresa começou com a missão de desburocratizar o relacionamento bancário. Simplificando e humanizando as transações por meio de um aplicativo desenvolvido para smartphones e sem cobrança de anuidade, o banco mirou no público jovem, marginalizado pelas financeiras tradicionais.

Hoje são mais de 40 milhões de clientes em posse do já famoso cartão roxo da fintech, que possui um valor de mercado estimado entre 75 e 100 bilhões de dólares, segundo  informação divulgada no site da Exame.

Segurando cartão nubank

Já o clássico e até batido caso da Kodak, representa claramente como a inovação disruptiva pode atropelar e destruir um líder de mercado.  Em meados de 1975, o engenheiro da companhia Steven Sasson inventou a primeira câmera digital, época em que a empresa detinha 85% do mercado de câmeras e 90% do mercado de filmes dos Estados Unidos, segundo a Graphic News.

Conta a lenda que, quando os executivos da companhia receberam o promissor projeto, ficaram assustados pelo alto risco de acabar com seu principal e mais lucrativo produto e decidiram engavetar a invenção. Resultado: as ações da empresa saíram de um patamar de U$ 80 na década de 1990 para apenas U$ 0.55 em 2012, quando a Kodak decretou falência.

A analogia fica clara aqui, enquanto a Kodak estava preocupada em aperfeiçoar suas câmeras e filmes, players de mercados distintos, neste caso os fabricantes de eletrônicos, lançaram equipamentos digitais acessíveis e que tomaram a maior parte ou quase todo o público consumidor das câmeras.

Gráfico Kodak

Quando fala-se do do mercado imobiliário nacional, embora haja grandes esforços em busca da inovação, o processo de tecnologia disruptiva em sua essência ainda não pôde ser identificado.

Ouve-se falar de BIM, gestão de leads, CRM, IPO, FII, industrialização, algumas iniciativas off-site, vendas no digital, construtechs e mais uma infinidades de movimentos que vêm para aprimorar o produto imobiliário ou algum ponto de sua cadeia produtiva, contudo nenhum se propõe a atingir um público marginal.

De maneira geral, nosso mercado continua fazendo tudo da mesma maneira que fez nas últimas décadas, com uma produção bastante artesanal e com as mesmas formas de atendimento ao seu público principal.

Epilhando tijolos

Apesar de algumas companhias terem aberto o capital na primeira década dos anos 2000,  a indústria imobiliária continua muito conservadora e patriarcal. Provavelmente pelo fato de ser dominada por empresas familiares e tradicionais do ramo, a teoria disruptiva não terá espaço. Além disso, boa parte dos executivos à frente do nosso mercado possui um perfil com histórico de sucesso,  porém conservador. Somos nós engenheiros, arquitetos e administradores formados nas tradicionais universidades brasileiras que, generalizando, nem sequer possuem uma disciplina de inovação.

O conservadorismo é tão forte que, conforme cita o site do CRECI-DF,  anunciamos os produtos do mercado imobiliário de forma muito parecida como eram nos principais jornais em 1808. Sem qualquer crítica aos anúncios em jornal, que têm e, especialmente, tiveram sua grande importância, este exemplo mostra como vimos fazendo as coisas da mesma maneira que no século 19.

Meu ponto é: será que estamos nos preocupando tanto em melhorar os nossos produtos e demais processos da cadeia produtiva e estamos perdendo alguma oportunidade de mudança de comportamento para criar a disrupção em nosso mercado?

Talvez algumas companhias estejam enxergando movimentos diferentes. A Vitacon com sua plataforma Housi parece ter achado um nicho interessante: jovens millennials que não querem mais uma residência fixa e optam  por morar de aluguel através de uma plataforma imobiliária.

Outras tantas companhias têm olhado para mercados de short e long stay como alternativa à tradicional compra de imóveis. Para fundear essas novas formas de lifestyle, eles buscam os recursos dos já conhecidos fundos de investimentos imobiliários. À medida que este mercado cresce e começa a tomar share do tradicional mercado de compra e venda, o movimento de inovação disruptiva pode ser gerado.

Em suma, a moradia é e sempre será uma necessidade básica do ser humano ou, como definiu Maslow, uma necessidade fisiológica. Sendo assim, o “abrigo” continuará a sempre fazer parte das prioridades humanas.

Embora, sob esse ponto de vista, nossa indústria não acabará, as grandes companhias que conhecemos no Brasil e no mundo hoje podem ser aniquiladas em um futuro não tão longínquo por um movimento disruptivo que não foi enxergado por elas mesmas. Quem queremos ser? Uma nova Nubank ou outra Kodak?

*O conteúdo expresso neste texto não necessariamente reflete a opinião da Brain.

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