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Certificar, ou não certificar, eis a questão

10/06/2021, 16:07

Por Hamilton de França Leite Júnior

Antes da decisão proposta no título, o empresário precisa definir se desenvolverá empreendimentos socioambientalmente responsáveis, ou não.

Construtoras e incorporadoras possuem um papel fundamental na sociedade, pois atendem a demanda da população por habitações, lojas, shopping centers, hotéis, hospitais, escolas e obras de infraestrutura. No entanto, a construção civil causa impactos socioambientais importantes, que são inerentes a esta atividade.

Conforme descrito no “Caderno de Condutas de Sustentabilidade no Setor Imobiliário Residencial”, publicado pelo Secovi-SP e o CBCS – Conselho Brasileiro da Construção Sustentável, a construção civil mundial demanda 40% da energia e um terço dos recursos naturais; emite um terço dos gases de efeito estufa; consome 12% da água potável e produz 40% dos resíduos sólidos urbanos. No Brasil, o consumo de água se aproxima de 16%, o consumo de materiais é de 9,4 toneladas por habitante/ano e a geração de resíduos sólidos atinge cerca de 500 Kg por habitante/ano. Na análise do consumo energético, o setor residencial brasileiro absorve 10,8% do total de energia consumido no país e, apenas em eletricidade, demanda 22,3% da geração nacional.

A construção sustentável é o modelo de produção que controla os impactos sobre o ambiente externo e cria edificações com ambiente interno confortável e saudável (Fundação Vanzolini, 2013) e portanto minimiza os impactos negativos inerentes à produção e operação do ambiente construído. Ela é o meio pelo qual a indústria da construção dispõe para responder ao desafio do desenvolvimento sustentado (International Council for Research and Innovation Building and Construction, 1999)

Se então o empresário decidir desenvolver seus empreendimentos de forma sustentável, passamos para a segunda questão: Certificá-los ou não certificá-los?

A título de ilustração, se algum empreendedor divulgar que seu projeto é sustentável, apenas porque possui placas fotovoltaicas, estará esta divulgação correta?

Isto dependeria dos critérios de quem divulga, se não tivéssemos as certificações e suas respectivas normas, que definem exatamente quais são os atributos que os projetos devem incorporar, para serem classificados como sustentáveis. E ainda dependendo da certificação, o nível de atributos incorporados ao projeto, define o nível de certificação.

Claro que, um edifício não certificado será sustentável da mesma forma que um idêntico certificado, se os mesmos critérios, de qualquer certificação, forem atendidos. As normas das certificadoras são públicas, portanto qualquer empresa pode compreendê-las e aplicá-las, mas alguém precisa comprovar que elas foram realmente atendidas. Quando um empreendimento é certificado, uma auditoria independente de terceira parte verifica se o projeto e em alguns casos, também o processo de construção, atenderam as premissas definidas pelas certificadoras. Se o edifício não for certificado, o comprador do imóvel e o usuário precisariam confiar na declaração do construtor, mas como o custo do processo de certificação representa apenas cerca de 0,1% do valor das obras, praticamente todas as obras que atendem as normas das certificadoras, são certificadas.

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E finalmente, a terceira questão que deve ser respondida é: qual delas devemos escolher?

Temos atualmente no país algumas opções disponíveis para que uma edificação seja reconhecida como sustentável. São as certificações LEED (Green Building Council Brasil), Processo Aqua (Fundação Vanzolini), EDGE (IFC – International Finance Corporation / Banco Mundial), além do Selo Casa Azul (Caixa Econômica Federal) e da Etiqueta PBE (Programa Brasileiro de Etiquetagem) Edifica.

A revista Forbes publicou no dia 07/06/21*, que o Brasil ocupa a 5ª posição entre 180 países no ranking mundial de sustentabilidade, de acordo com os dados de 2020 divulgados pelo USGBC (United States Green Building Council).

Cada empresa pode contribuir para a redução dos impactos socioambientais negativos relacionados ao setor, incorporando  atributos e ações sustentáveis aos seus projetos e à sua gestão, de acordo com os critérios estabelecidos pela Certificadora de sua preferência.

Se sua empresa ainda não faz parte deste movimento crescente e irreversível, basta aprender sobre este assunto e colocar a “mão na massa”.

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