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Gerenciando momentos de crise: oportunidade sim, mas dificuldade também

11/03/2021, 13:47

Por Letícia Tiboni Araujo

Pensar em crise enquanto estamos vivendo um momento único de pandemia mundial é como chover no molhado. Difícil imaginar alguma empresa que não tenha sido afetada por esse evento. Mesmo aquelas onde não houve redução de faturamento, certamente houve grandes mudanças nas rotinas de trabalho.

Normalmente relacionamos crise à redução nas vendas, mas existem também outros momentos que são muito difíceis na gestão da empresa. Momentos de crescimento acelerado também exigem um esforço muito grande de reorganização para atendimento da demanda aumentada. Aqui nesse artigo, gostaria de conversar sobre as duas situações: as dores de redução e as dores do crescimento.

Como ficam os processos?

Em ambos os casos, existe uma necessidade de adequação de processos e, nas crises, a necessidade de mudança é sempre acelerada. Para as dificuldades de vendas, a grande pressão é para redução de custos, necessária à sobrevivência da empresa. É comum concentrar atividades diferentes em uma mesma pessoa, que acaba sofrendo grande pressão para aprender novas tarefas, em grande velocidade e muitas vezes sozinha.

Quando a empresa cresce rapidamente, o grande desafio é atender a nova demanda. Isso acontece normalmente sob grande tensão, pois o cliente precisa ser bem atendido para que o crescimento seja sustentável. Os colaboradores passam a trabalhar um tempo muito maior, pois suas atividades normalmente aumentam e o tempo para adequação da equipe normalmente não é tão rápido quanto necessário.

Além da alteração da quantidade de atividades, muitas vezes é necessário que aconteça também uma alteração dos processos, tais como redistribuição de tarefas e automatização ou sistematização de atividades. Para isso é necessário um esforço adicional de planejamento, ou seja, quem já estava trabalhando a mais pelo aumento da demanda, ganha ainda uma tarefa adicional. É o famoso “trocar as rodas do avião com ele em vôo”.

E como as pessoas se sentem nesse momento?? Não é difícil imaginar… Angústia, medo, cansaço, frustração. Agora, acima de tudo isso, é comum que mesmo os melhores funcionários comecem a se sentir incompetentes e perdidos. Isso porque percebem que o esforço é grande e o resultado normalmente não é mais como anteriormente.

Por que precisamos reorganizar as pessoas para então reorganizar os processos?

E tem como reorganizar os processos da empresa com pessoas se sentindo derrotadas? A resposta a essa pergunta parece óbvia: não vai dar muito certo. Antes de reorganizar os processos, é preciso reorganizar as pessoas. Para isso, é necessária uma aproximação maior para entender como estão se sentindo, mas principalmente para conscientizá-las que o momento que estão passando com a empresa é difícil, requer recursos emocionais importantes, mas é passageiro. É necessário manter a calma e a consciência do momento.

Existe uma metáfora muito usada que compara essa situação a um afogamento. A pessoa que está se afogando está tão aflita que quando chega alguém para resgatá-la, ela vai desesperadamente em direção ao resgate e tende a afogá-la também. Então muito cuidado com esse momento, caso contrário, você também se afogará com os problemas que aquela pessoa está vivendo. Mantenha uma proximidade com a pessoa, mas distanciamento relativo dos problemas. Esse distanciamento é necessário para ajudar a pessoa a entendê-los e resolvê-los.

A partir do momento que conseguimos trazer boa parte das pessoas ao entendimento mais claro do momento e por consequência ao equilíbrio emocional, temos condições de analisar os processos, identificar os principais problemas e elaborar um bom plano de ação para resolvê-los.

Difícil, cansativo, desgastante e muitas vezes caro

Quem já passou ou está passando por um momento assim, deve estar pensando agora: “até parece que é tão fácil como a Leticia está escrevendo!”. Não é MESMO!!

As crises são difíceis, cansativas, desgastantes. Elas exigem de todos um esforço físico, mental e emocional muito maior do que o normal. Por diversas vezes somos cercados pelo medo e pela vontade de desistir. Por isso acho importantíssimo não estar sozinho. Esteja muito próximo da sua equipe e dos seus colegas! Esses momentos não acontecem ao mesmo tempo para todos e um poderá ser o suporte que o outro precisa para seguir em frente até que esse momento passe.

Outro ponto importante para se ter consciência é que especialmente para resolver as dores de crescimento, muitas vezes serão necessários investimentos financeiros importantes. Compra de equipamentos ou sistemas e aumento de quadro. E esses investimentos são diretamente proporcionais à velocidade que as mudanças precisarem ser feitas.

No outro extremo, para adequação da empresa a um patamar de despesas mais baixo, pode ser necessário que a empresa se desfaça do que não é mais necessário, como por exemplo adequação a um espaço com custos mais baratos e exclusão de confortos supérfluos para o momento.

Ao final, o aprendizado

O que mais temos ouvido como frase de motivação ou consolo neste último ano, com a pandemia do novo coronavírus é: vai passar! Afinal, tudo na vida passa! O que é bom e o que é ruim.

Successful and happy business team

A boa notícia é que ao passar por um momento de crise, as pessoas saem mais fortalecidas. O aprendizado é grande em diversos aspectos: relacionamento com a equipe, entendimento do comportamento das pessoas, dos processos da empresa, das formas de investimento possíveis, do mercado, e muitos outros. Quando todos os nossos sentidos estão ligados e atentos, nossa capacidade de aprendizado aumenta exponencialmente.

Esse aprendizado pode ajudar a nos sentirmos mais autoconfiantes. Ou porque percebemos que conseguimos vencer os desafios ou porque aprendemos os caminhos que não devemos mais seguir. E aí, vem a já batidíssima frase: “crise é oportunidade”. Então aproveite e lembre-se: vai passar!

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