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MUDANÇAS NO MODO DE VIDA E SUA RELAÇÃO COM OS IMÓVEIS

19/11/2020, 15:16

Por Eduardo Guimarães

Tenho sido muito questionado sobre as possíveis mudanças no jeito de viver das pessoas, ocasionado pela pandemia e como esse fenômeno será perenizado quando ela se for. Tanto que recentemente escrevi sobre essas tendências sob o ponto de vista do mercado imobiliário.

Avaliando esse tema, resolvi escrever esse artigo com algumas reflexões que tenho feito sobre o modo de vida das pessoas e suas necessidades cotidianas dentro de casa, que poderão carecer de novas demandas nos casos em que o home office se torne uma realidade permanente e mesmo em função dessa reaproximação das famílias na convivência diária.

O primeiro fenômeno que a pandemia nos trouxe, ao prender a todos em casa, foi a volta do convívio familiar pleno e cotidiano. E com esse convívio, vieram, por exemplo, as refeições em família, com todos à mesa, fato que também era muito raro, pois estava cada vez mais difícil em função das rotinas de trabalho dos membros de uma mesma família, o que obriga ao almoço na rua, perto do trabalho ou onde quer que a pessoa esteja naquele momento. Muitas vezes uma refeição rápida, calórica e de baixa qualidade nutricional.

Na outra ponta dessa dicotomia, temos o mercado imobiliário, que vinha produzindo moradias cada vez menores, sob o discurso da racionalização dos espaços na vida moderna, o que, em algumas vezes, na verdade não passava de falácia para encobrir a ineficiência na produtividade de suas obras, o que torna seus custos cada vez mais elevados.

Independente dessa questão da diminuição da área dos imóveis e de tudo o que já escrevemos anteriormente sobre o tema, essa reflexão sobre o (novo) comportamento dos núcleos sociais básicos – as famílias – traz uma relação direta com o seu espaço de habitação e uma revisão de suas funcionalidades e dimensões.

Pegando como exemplo uma família cujos cônjuges trabalham fora e os filhos já estejam na adolescência ou juventude e portanto, com compromissos próprios, almoçar todos juntos à mesa durante a semana, era algo impensável, dadas as diferentes logísticas cotidianas de cada indivíduo. Com a advento da pandemia, as refeições à mesa de toda família voltaram rotina. Assim como cozinhar essas refeições em casa, buscando reduzir custos, melhor a qualidade nutricional das refeições, até então negligenciada e até mesmo como atividade complementar de lazer e convívio. Nessa hora, aquele apartamento contemporâneo, com sua micro cozinha de conceito aberto para uma pessoa no máximo, as vezes sem forno, só com um cooktop, aliada à falta de uma sala de jantar (conceito antiquado, do século passado) e somente com um balcão para refeições, passa a ser insuficiente. A família não cabe toda junta.

Do mesmo modo, o lazer, agora restrito à televisão, ou outras atividades indoor também são prejudicadas pela falta de espaço para se estar. E essa falta de espaço de convívio familiar era uma tendência muito forte, uma vez que as moradias estavam cada vez mais restritas às horas de sono e algumas poucas horas de relaxamento a noite antes de dormir.

E não vou nem comentar sobre os mini apartamentos, como menos de 25 m²!

O fato é que nas novas demandas de projeto que recebo, seja de cliente final, seja de incorporador, já começam a ressuscitar a velha copa integrada à cozinha (mesmo em conceito aberto), uma sala de estar, mais proporcional ao tamanho da população esperada para aquele apartamento, que caiba mobiliário para toda família sentar junta, ou seja, começa a haver um reequilíbrio dos espaços em função da funcionalidade para uma moradia com cem por cento dos moradores dentro dela o dia todo e por seguidas semanas.

Nesse contexto, a varanda gourmet, uma invenção recente do mercado imobiliário, se torna cada vez mais imprescindível como o grande espaço de convívio da família. Nela se cozinha, se come e se desfruta desse convívio. E a sala de estar formal, antigamente chamada de sala de visitas, perde sua função. Afinal, se contabilizarmos, quantas horas uma família (mesmo antes do advento pandemia) fica junta em casa e quantas horas recebe alguma visita formal?

Os dormitórios, cada vez mais diminutos, pedem hoje, espaço para as aulas virtuais e para brincar com o irmão. Dessa forma, mais que uma cama, precisa de espaço para uma mesa de estudos e para convivência dos pequenos.

Como já disse anteriormente e repito: não existe o “novo normal”, o que temos hoje é uma anormalidade originada por uma crise mundial de saúde pública, causada pela pandemia e que tão logo ela passe, voltaremos ao normal de fato. Mas também é sabido que toda crise (principalmente mundial), seja qual for a sua origem (com as econômicas o mundo já está acostumado), deixa sequelas na humanidade e essa não será diferente.

Enfim, de uma forma ou de outra, as reflexões sobre as novas demandas já estão em curso e os projetos começam a sofrer ajustes em seus programas de necessidades. Muitas vezes pequenos ajustes, mas que, quanto mais sutis, mais propensos a permanecer no conceito das futuras moradias. É claro, o mercado imobiliário é o primeiro a perceber e incorporar em seus novos produtos e assim fazer surgir novas tendências. E como sempre, dessa grande safra de limões, quem fizer as primeiras e mais deliciosas limonadas, vai sair ganhando. E isso vale, não somente para o residencial, mas para qualquer setor do mercado imobiliário!

Hoje, entre um projeto e outro, tenho mergulhado cada vez mais fundo em pesquisas sobre esse atual comportamento humano (em casa, no trabalho, no lazer, etc.) e as tendências que ele traz para os futuros empreendimentos, para assim podermos planejá-los com assertividade para esse futuro próximo.

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain Inteligência Estratégica.

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