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O prédio tem um novo morador e ele é um cachorro

07/04/2021, 10:48

Por Marcos Kahtalian

O prédio tem um novo morador e ele é um cachorro. Ou um gato. E não só os dois: conheço uma pessoa que mora com 3 cachorros, 2 gatos, um aquário (cheio), e uma tartaruga- além, é claro, dos filhos – em um apartamento não muito grande. Ultimamente ele anda falando muito sobre pássaros – e posso imaginar o que vai acontecer.

Já não é novidade alguma que os pets invadiram os lares. De acordo com os últimos números divulgados pelo instituto Pet Brasil são 55 milhões de cães e 24 milhões de gatos. E quando compreendemos que quase metade dos domicílios brasileiros tem algum animal doméstico, não dá mais apenas para falar dos empreendimentos imobiliários sem considerar essa convivência. Os moradores são as famílias e seus pets (que muitos dizer ser parte mesmo da família).

Faça um teste: se você mora em um condomínio é bem provável que metade dos residentes tenha em casa algum bichinho. Na rua em que moro creio que sou único a não andar com um cachorro (mas, antes que me julguem, apresso a dizer eu também faço parte da espécie humana e já convivi com alguns). E, surpresa! A pandemia acelerou mais ainda o número de adoções e o faturamento do setor de alimentação animal para pets cresceu 13% em 2020, chegando a pouco mais de R$ 40 bilhões – no que era para ter sido um ano de crise profunda.

Não é sem razão que o assim chamado espaço pet cresceu em termos de oferta como área de lazer nos lançamentos mais recentes. Pesquisas de pré-venda e pós-ocupação que a Brain vem realizando mostram como esse tipo de espaço, espécie de playground canino, é bem recebido. Em entrevistas qualitativas, muitos moradores falam do espaço pet como um local que frequentam diariamente. O que ocorre é que nem sempre é fácil ou oportuno passear com um cachorro por exemplo, tarde da noite ou em dias chuvosos e frios. E dessa forma, não é incomum que o espaço pet vire um mini-parcão.

Bem, em teoria tudo funciona. Mas é claro que os queridos pets também trazem desafios ao condomínio. Nesse momento em que o home office é hábito adquirido, é comum ouvir latidos nas intermináveis lives e e-meetings. É o momento fofura, digamos. Mas há também aqueles momentos de pesadelo, quando o volume, intensidade e frequência das manifestações dos pequenos animais ampliam o grau de tensão no prédio. Ou as discussões intermináveis sobre utilização de elevadores e comportamentos indesejados (dos tutores, na maior parte das vezes).

De qualquer forma, a realidade é essa e, portanto, não espanta que os empreendedores imobiliários estejam olhando para esse fato e procurando se adaptar. Casas e condomínios horizontais já contam com a onipresença dos pets e muitos procuram apartamentos do tipo “Garden” também tendo esta convivência em mente. Não creio que venhamos a ter um “dog’s room”, mas as varandas dos apartamentos já vêm sendo escolhidas preferencialmente pelos tutores como um cantinho do pet; que em alguns casos mais radicais são também todos os cantos da casa. Não há motivo para um segmento que tem gerado tanta diversidade de oferta de produtos e serviços não venha também a ter a acolhida nos novos projetos. É o que estamos vendo; os novos moradores vieram para ficar. Au au!

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