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Qual será o futuro do mercado de escritórios brasileiro?

16/09/2020, 14:27

Desde o início da pandemia da COVID-19, vimos muitas mudanças acontecendo. Começamos a praticar o distanciamento social e passamos a ter máscaras faciais e frascos de álcool gel como acessórios indispensáveis para a proteção contra o vírus. Vimos também os impactos que o mercado vem sofrendo, com muitas demissões e a impossibilidade de reabrir, devido ao perigo do vírus.

O mercado imobiliário não é diferente. Nós da Brain temos acompanhado os desafios específicos que o setor está enfrentando nesse momento. Em nossa série de pesquisas, evidenciamos uma grande queda na intenção de compra de imóveis, de 43% antes da pandemia, para 20% em abril, voltando a crescer a partir de junho. Mas os impactos não param por aí.

Especificamente o setor de escritórios foi muito afetado, uma vez que muitas empresas tiveram que paralisar suas atividades. Uma coisa é certa, para haver segurança dentro das organizações, os trabalhadores não poderão mais voltar a trabalhar nos mesmos espaços, com as mesmas condições. Eles precisarão ser repensados para poder fornecer um ambiente que, além de produtividade, proporcione segurança contra o vírus.

É exatamente sobre esse assunto que trata a nova série de textos publicada pela Haus, que conversam entre si e introduzem o assunto do webinar feito em parceria com a Brain: “O futuro dos escritórios e os escritórios do futuro”. Neste artigo, trazemos as visões de 3 participantes do evento: Rafael Birmann, Presidente da Birmann S.A., Tiago Alves, CEO da Regus & Spaces Brasil, e Sérgio Athié, Sócio-fundador da Athié Wohnrath.

O que Rafael Birmann pensa sobre o futuro dos escritórios?

Rafael Birmann faz uma viagem ao passado em suas memórias de criança ao citar o livro “Cidades Mortas”, de Clifford Simak. Segundo ele, a história se passa em um mundo com avanços tecnológicos que levaram as pessoas a morarem em grandes terras, distantes uns dos outros, que é onde Birmann faz alusão ao isolamento social que vivemos hoje.

Segundo Birmann: “O conceito de cidade, de densidade, de atração pelos mercados, de maior interação pessoal e serviços em grande escala venceu as teorias modernistas de afastamento dos prédios e zonas especializadas de serviços ou funções e continuava, nos últimos 30 anos, a vencer pela força de sua realidade contra o ‘wishful thinking’ de teorias tão caducas quanto malucas.”

Ele traz em pauta diversos questionamentos sobre o futuro do escritório, das cidades, do comércio de rua, dos transportes, do novo, do velho, do ultrapassado, da tecnologia. Todos pautados nas mudanças que vemos acontecer e às quais nos adaptamos. Porque, afinal, esse é o futuro.

Sobre a tecnologia, ele conclui: “[Ela] resolver muitos de nossos problemas, mas não todos. Nossa natureza humana não é novidade, nossa espécie evolui a milhões de anos.  As cidades e sua natureza centrípeta respondem a anseios de milênios, nada mudou, tudo está mudando”. Para ele, ao contrário do livro, a cidade não terá fim, nem os escritórios, mas criaremos formas de continuar trabalhando e continuar unidos nesses centros.

O que Tiago Alves pensa sobre o futuro dos escritórios?

Enquanto Birmann reflete sobre o futuro dos escritórios nas cidades, o texto de Tiago Alves segue a reflexão pensando o ambiente interno dos escritórios. Apesar de o home office ser uma opção viável e cada vez mais adotada no mundo há bastante tempo, durante a pandemia, fomos forçados em “um dos maiores experimentos modernos de trabalho flexível”.

Ele relata que no começo, fatores como horário comercial, ergonomia e capacitação foram ignorados por muitas empresas, levando os funcionários a trabalharem mais de casa do que do escritório, mas sem a garantia de uma maior produtividade. Mas não temos somente pontos negativos. A aproximação familiar e a falta de necessidade de deslocamento também têm influenciado na produtividade dos trabalhadores.

Pensando na volta aos escritórios, Tiago acredita que “as medidas de distanciamento social impõem um desafio aos gestores de espaços, uma vez que para ocupar o mesmo metro quadrado com maior distância, se faz necessário implementação de turnos ou mesmo um mix entre funcionários que estão em casa e aqueles que devem voltar ao escritório, o famoso rodízio”.

Para ele, o futuro do trabalho será com equipes e espaços flexíveis, com a descentralização dos grandes escritórios em células de trabalho divididas geograficamente, possibilitando inclusive, trabalhar mais perto de casa. Isso abre espaço para o que ele define como “anywhere office”, um escritório na nuvem, que viabiliza uma modalidade alternada de trabalho em casa e no escritório.

O que Sérgio Athié pensa sobre o futuro dos escritórios?

Sérgio Athié também escreve sobre essa possibilidade em seu texto. Segundo ele, muitas empresas continuarão com o home office, mas poderão adotar um sistema flexível, em que o trabalhador passará, em média, metade do tempo no escritório e em trabalho remoto.

Para ele, “o espaço de escritório passa a ter um papel quiçá mais importante do que nunca, pois é ali que devem ocorrer as atividades sociais, de troca, de compartilhamento de informações, sendo um catalisador importante da alma da empresa, da maneira como ela se conecta com seus colaboradores e como transmite sua cultura e propósitos”.

Conclusão

É impossível dizer como as coisas serão exatamente, mas o que temos visto é que a pandemia trouxe à luz muitos problemas que não eram notados. Acreditamos que o novo escritório será flexível em seus horários e o trabalho será realizado alternando entre presencial e remoto. Quer saber mais sobre o futuro dos escritórios? Então clique aqui e se inscreva no nosso evento “O futuro dos escritórios e os escritórios do futuro”, que acontecerá dia 18/08, às 17h.

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