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Sim, haverá demanda reprimida

27/11/2020, 14:23

O provável final da pandemia, previsto para o primeiro semestre de 2021, causará um fenômeno social bastante interessante, senão por sua capacidade de mobilização das massas, por seus efeitos na macroeconomia.

O isolamento continuado por mais de 30 semanas (com regras bastante rígidas de permanência em um mesmo ambiente) devem gerar o efeito de demanda reprimida em diversos segmentos, o que implica, naturalmente, numa elevação do faturamento das empresas que venceram a crise sanitária.

A demanda reprimida é um dos aspectos mais estudados da economia mundial contemporânea e seus efeitos estão associados ao comportamento social sendo, basicamente, o represamento coletivo do desejo de compra em um ou mais segmentos específicos, convertido em ação por conta de um cenário socioeconômico favorável.

No caso do Brasil, três aspectos fundamentam o fenômeno que, pela primeira vez em 30 anos deve atingir quase todos os segmentos da economia. São eles: 

A taxa de juros na casa dos dois por cento ao ano torna palatável o financiamento de longo prazo para automóveis, eletrodomésticos e imóveis. A perspectiva de obter o bem durável com financiamentos de longo prazo – e com pouca variação nas parcelas –  é um poderoso estímulo ao comprador.

A mesma taxa SELIC na casa dos dois por cento ao ano força o retorno do capital – antes investido em instituições financeiras e agora pouco premiado. A tendência aponta para a busca de novos ativos no portfólio de investimento e isso inclui imóveis, ações e o retroinvestimento em negócios.

O ambiente de restrição a que foram submetidos os brasileiros empregados, autônomos ou empresários durante a crise sanitária cria um efeito psicológico favorável ao consumo, que passa a simbolizar libertação: a vida, enfim, continua.

Há, no entanto, um preocupante contraste social que assola o país nesse momento: o desemprego, fantasma das economias atuais, assombra o Brasil. Mais de um milhão e seiscentos mil perderam seus postos de trabalho durante o recesso causado pelo Corona, revelando a fragilidade do país diante dos reveses a médio prazo.

Há, ainda, a inércia de um governo que já deveria ter tomado o pulso da situação produtiva e posto em voga um plano de retomada econômica consistente. O ministro Guedes ainda apanha mais do que bate.

Tais fatores podem fazer da demanda reprimida, não o início de uma era virtuosa, mas apenas um pico de aceleração de consumo, mergulhando o país em um marasmo econômico logo a seguir.

O fim da pandemia se aproxima e com ele virá um novo tempo no qual será impossível para a gestão Bolsonaro camuflar resultados e esconder a inércia que é sua marca registrada.

E algo além se verá…

O Brasil irá cobrar de si mesmo o que insistia não ver antes do coronavírus.

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain Inteligência Estratégica.

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