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Tecnologia na gestão pública: histórias de erros e acertos

12/11/2020, 17:12

Com previsões nem sempre cumpridas, tecnologia rege processos nas esferas públicas, privadas e individuais

A sensação geral é de que estamos sempre em dívida com as inovações em tecnologia, constantemente tentando acompanhá-las. A cada invenção, gestores, acadêmicos e profissionais arriscam previsões sobre como a tecnologia estaria prestes causar mudanças dramáticas nas estruturas e nos processos das organizações públicas.

Muitas delas, no entanto, nem mesmo chegam a ser concretizadas, a exemplo da ideia dos anos 60 de que a tecnologia viria para amenizar as diferenças sociais e eliminar algumas das esferas da gestão representativa.

Vinte anos depois, o papel da informação ganhou outra perspectiva nas organizações, tanto públicas quanto privadas: a maior lição da tecnologia para os anos 80 foi a percepção de que os novos sistemas não resolveriam os problemas de gestão, mas entregariam às organizações o poder de optar e discernir quais os impactos de cada decisão sobre a estrutura geral.

Essa nova ideia sugeria que a tecnologia não serve exatamente para direcionar as mudanças, mas sim para abrir novos horizontes e permitir a implementação de novos formatos e abordagens administrativas.

E então, nos anos 2000, a Internet começou a dominar as experiências profissionais e pessoais, atraindo novas previsões de que a tecnologia seria capaz de instituir práticas democráticas mais diretas, oferecendo tamanha liberdade de expressão que a humanidade poderia ver substituídas as instituições representativas.

Por fim, o que testemunhamos foram de fato mudanças, porém muita coisa se manteve inalterada: a maioria dos sistemas governamentais ainda seguem o mesmo formato de poder, as estruturas hierárquicas estão mais engessadas do que nunca e as instituições democráticas pouco evoluíram – quando não retrocederam.

A grande mudança, ao contrário das previsões do século XX, ficou por conta do aumento da capacidade de previsão: com a internet das coisas, a inteligência artificial e as grandes redes de interação pessoal, foi possível criar novas metodologias de trabalho na gestão pública, com base na captação, análise e utilização de dados.

O munícipe foi finalmente inserido na cadeia de gestão, por meio de associações, comunidades e grupos de interesse altamente conectados. Uma série de ferramentas foram criadas, com o propósito de incluir as demandas individuais nas decisões para o coletivo.

É o caso do aplicativo QZela, criado em 2019, que usa georreferenciamento e inteligência artificial para garantir ao cidadão a possiblidade de fiscalizar a cidade a partir de um recurso simplificado de apontamento de problemas de zeladoria urbana pelo celular. As informações alimentam um banco de dados atualizado em tempo real, que pode ser integrado a qualquer sistema de gestão pública ou privada.

Pode-se dizer que a grande virada da tecnologia nesta década – que, por sinal, já chega ao fim – está na construção do coletivo a partir do individual. Pequenos grupos, associações ou núcleos de afinidade são mais facilmente mobilizados e conseguem articular ou manifestar suas opiniões a partir de ferramentas tecnológicas extremamente elaboradas, porém de interface cada vez mais simples.

Se a tecnologia ainda deixa a desejar nas antigas previsões de garantir sistemas mais democráticos, por outro lado ela entregou, tanto a organizações quanto a indivíduos, ferramentas inclusivas que aproximam, melhoram processos e permitem gestões mais eficientes com custos reduzidos.

Como todas as evoluções, no entanto, é necessário que as estruturas administrativas tenham abertura e estejam propensas a abraçar o novo, readaptando seus processos na busca constante por melhoria. Uma coisa é certa: para trás, não vamos.

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain inteligência estratégica

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