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Um país miseravelmente rico

26/10/2020, 16:23

A miserabilidade que há no Brasil vai além do homem que não se alimenta três vezes ao dia e que pede dois Reais por um pacote de balas meladas pelo calor inclemente. 

A miserabilidade brasileira começa na tardia formação econômica da criança, que ao ganhar um trocado, corre para gastá-lo com doces, salgados e o difamado refrigerante.

Desde sempre, nossa visão de economia é aquela que se suporta do Estado, que tem até um ministério só para isso… Então, ele que resolva tais assuntos complexos.

Já adolescente, aquela criança é capturada pela cultura, hip hop, pop, funk, rock ou seja lá qual for e, muitas vezes, sem ter a janta posta na mesa, calça um tênis ou veste uma camiseta que não condizem com sua colocação na escala social (Essa é a lição básica do marketing contemporâneo: transformar a todos – não importam os desequilíbrios sociais – em ávidos consumidores). E a incapacidade de fazer um juízo de prioridades financeiras já se manifesta de maneira clara nos adolescentes, que se cercam de objetos pessoais ou eletrônicos para confortar aquilo que não está devidamente resolvido ou amadurecido dentro de si. 

Teoria econômica deveria ser matéria (pelo menos complementar) nas escolas do ensino fundamental, se não por sua irmandade com a matemática, por sua inegável importância social. Mas o programa educacional do país tende a valorizar outras disciplinas ao invés de enveredar para o aprendizado de algo que insistem fazer parecer tão distante e tão desnecessário.

Lidar com dinheiro é fator que fará grande diferença quando esse tornar-se adulto. É quando o brasileiro ou a brasileira medianos fazem evaporar parte relevante de seus ganhos mensais com aquilo que é supérfluo, que conforme afirmam os sociólogos, é o principal escape das angústias de uma vida sofrida.

Investir bem o dinheiro, como propagam os anúncios “mágicos” dos novos gurus de redes sociais é, em síntese e sem segredo, saber poupar, quase sempre abrindo mão do supérfluo e seguindo disciplinadamente uma lista de prioridades. Pesquisas recentes do Datafolha acusaram que o brasileiro assalariado – com rendimentos de até dois mil Reais – perde cerca de quatrocentos Reais (aproximadamente 20% do salário bruto) em despesas ou produtos que poderiam ser descartados. 

A dinâmica dessa conta é que valor similar a esse paga, por exemplo, a mensalidade de um apartamento Minha Casa, Minha Vida, novo, com dois quartos, churrasqueira na sacada e uma vaga no estacionamento. Nunca é demais afirmar que é patrimônio perdido, sumido, irrecuperável…

Você pensará que os mais jovens não querem mais ter imóveis. Não tenho essa convicção, além do mais esses jovens devem pensar em ter patrimônio acumulado para os dias de chuva!

Seria injusto comparar a economia popular brasileira com outras mundo afora, mesmo porque há países desenvolvidos cuja educação econômica começa já no primário. Mas não é essa comparação desigual que nos deve refrear: somos um país de possibilidades agigantadas, através das quais brotam histórias de sucesso empresarial a partir do zero, tanto quanto nos Estados Unidos, por exemplo. 

O problema está em não nos reconhecermos como país rico e fazer valer nossas riquezas como ativo econômico estratégico fundamental. Essa questão justifica educar desde a tenra idade para gastar certo e para investir sempre que possível: o dinheiro deve vir ao mercado em forma de investimentos e retornar com lucros que justifiquem sua contínua reentrada. Assim, como diria Smith, ”se movem as riquezas das nações”.

Há inúmeros ensaios realizados pelas universidades de economia europeias que tomam o Brasil como exemplo e nas quais são modelados exemplos de investimento do governo em infraestrutura, mesmo com o pouco que nos resta no orçamento para tal.

Tais estudos demonstram que mesmo o governo brasileiro age como o aquele menino do qual já falamos, que ganha um tostão para o picolé e o gasta o mais rápido possível, sem pestanejar, sem planejar, sem ter rigor e prioridades. 

Somos miseráveis em conhecimento econômico massivo porém, capazes de criar empresas mundialmente reconhecidas pela competência no trato com o dinheiro. 

Há esperança, é certo!

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain Inteligência Estratégica.

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