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Vai começar uma obra? Bem-vindo à 2021

13/11/2020, 11:34

Por Marcos Kahtalian

O assunto do aumento de preços nos insumos da construção civil não é mais assunto: o absurdo das novas tabelas que não se cansam de reajustar virou rotina. Segundo dados do CUB-PR , divulgado pelo Sinduscon-PR, só o aço aumentou mais de 40% em 12 meses. Isso na mediana dos preços, posto que para alguns clientes essa elevação foi de mais de 60%. Assim, todos os construtores estão refazendo seus orçamentos, e estão em pior situação aqueles que já venderam a um determinado preço e estão no meio das obras. Situação difícil.

Porém, muito mais crítica é a situação daqueles que querem começar uma obra ou estão no meio dela. A questão é que não bastasse o preço ter explodido, simplesmente o material de construção sumiu. A programação de entrega de concreto, aço e demais insumos básicos, pelos fabricantes vem sendo constantemente alterada, quando não adiada. Um grande varejista de material de construção me confidenciou que somente 10% do pedido dele de materiais de PVC foram entregues em outubro. Outro empresário comentou comigo que podia iniciar uma obra agora em novembro, mas a previsão de entrega de aço era só para janeiro ou fevereiro. E assim sucedem-se os exemplos.

Aconteceu de fato uma sincronia perfeita, só que negativa: de um lado aumentou a demanda na construção, seja no chamado pequeno comércio de reformas, seja principalmente no mercado imobiliário; por outro lado houve um estrangulamento da oferta, já que os fabricantes paralisaram no todo ou em parte suas produções devido às incertezas geradas pela pandemia. Some-se a isso o preço do dólar que impacta todos os insumos primários, como ferro, cobre, resinas, e temos um cenário muito desafiador, em parte captado pelo INCC, mas em parte não. Os números do IGPM acima de 20% em 12 meses mostram a que situação chegamos, já que lá esses insumos são refletidos.

Claro que a situação vai se normalizar, mas isso vai demorar algo como 6 a 12 meses e enquanto isso, o mercado está sedento por produtos, a demanda está aquecida e temos que vender. O que fazer?

  1. Refazer orçamentos de obra e considerar uma margem de “gordura” maior que o natural;
  2. Quando possível, reajustar tabelas, desde que em mercado menos sensíveis: não é o caso do MCMV em que o preço é limitador, mas talvez em padrões mais elevados seja mais fácil a acomodação.
  3. Replanejar cronograma de obras. E avaliar o quanto o INCC pode recuperar o custo, visto que, como sabemos, após a venda, ele incide em todo o preço e não apenas naqueles insumos utilizados.
  4. Tomar cuidado com inadimplência e descasamento da renda do consumidor da prestação corrigida pelo INCC ou IGPM (em geral caso de loteamentos); renegociar se for possível.

E, claro, vamos torcer para que não seja muito crítico aqui no país a tal segunda onda, que em ocorrendo com força, vai impactar muito o cenário próximo. Sim, estamos vendendo, mas é preciso ficar atento para o resultado. Os próximos meses prometem ser emocionantes e desafiadores. O consolo, se pode haver, é que esse cenário vale para todos. Então, faça-se a pergunta: como posso me proteger dessa inflação de custos e ainda manter minhas vendas? É hora de aplicar mais inteligência na obra, no produto, no mercado – o que já vemos acontecer.

*A opinião do autor não reflete necessariamente a visão da Brain Inteligência Estratégica.

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